Burberry The Beat for Women Eau de Parfum
Acho que dos perfumes Burberry que já experimentei, The Beat foi o que me deixou mais confusa, num primeiro momento.
A princípio, achei que o nome não tinha relação alguma com o conteúdo do frasco. Afinal, The Beat para mim deve ter certo impacto viciante. A expressão lembra algo que traz uma euforia, que está relacionado à juventude, a movimento. Ao mesmo tempo, que fosse ligado aos movimentos musicais irrompidos na Inglaterra. Um perfume que trouxesse consigo um rastro de absoluta vanguarda, ao mesmo tempo em que reverenciasse esta história.
Então The Beat inicia com notas aquosas e cítricas, laranja e bergamota com pimenta rosa e cardamomo. Eu senti maçã verde, bem nitidamente. Não surpreende. Mas as especiarias ficam no ar alcoólico provocando aquele frisson ardido e ligeiramente amargo, que para mim, lembra champanhe.
Neste momento eu me senti enganada. The Beat não podia ser isso!
Então o perfume imediatamente desvanece para uma sensação olfativa de pétalas de flores boiando numa banheira de água gelada. O aroma floral vai sendo liberado tão devagar que o processo parece quase cruel. Uma breve lufada mínima aqui, outra ali… E você a sentir a pimenta sobre a sua pele salgada…
Neste ponto, acho que a pessoa começa ou a amar o perfume ou a odiá-lo. Pois The Beat é sim todo o seu conceito. E é sim jovem, antenado, absolutamente apto a uma vida sem limites de tempo. Ele é o perfume com cheiro de pele.
Inclusive, acho que ele tem um quê, que eu não diria unissex, mas andrógino. Quer mais The Beat que isto?
Quando a Iris começa a se pronunciar no meio deste toque alcoólico ( quando digo isso não é pejorativo, como num perfume barato. A íris intensifica este aroma frisante, ao mesmo tempo em que traz um leve aspecto talcado); eu percebo que o aroma se casou como da pele duma maneira tão sutil e harmoniosa que então não tenho dúvidas que foi proposital. Em seguida abre espaço para o jacinto e para as folhas de chá.
Acho que devia ser o contrário, mas eu senti primeiro a Iris, e depois o jacinto e o chá.
A experiência de pétalas na água gelada passa, deixando a pele com cheirinho de inverno, cama quentinha, pele ao natural pronta para ser beijada; um doce-amargo sutil como o do chá.
Para mim The Beat tem cheiro de champanhe na pele, folhas de chá, e pétalas de flores.
Gostei da sutileza aromática de The Beat. É o tipo de perfume que realça muito a individualidade de cada pele, de cada pessoa. Pra mim isto é muito bacana.
O drydown superlight, com vetiver e almíscar branco. É um perfume muito leve para durar horrores, mas a verdade é que você o deixa de sentir muito mais cedo que as outras pessoas.
Hoje em dia não é exatamente o meu tipo de perfume, mas com certeza o teria usado muito aos 20. Ele tem uma propriedade interessante de deixar a pessoa disposta.
Disposta a desafios?
Isso é com você. Mas se você gosta de perfumes que parecem uma segunda pele, recomendo The Beat.
P.S. Dá uma olhadinha no vídeo na barra lateral (ou AQUI). Um dos comerciais de The Beat que transmitem um pouco do conceito da fragrância.
Como vem sendo uma constante, A Burberry utilizou uma estilização do padrão xadrez que caracteriza muitas de suas peças (em especial os cachecóis), num frasco que lembra muito uma garrafa de bebida de bolso. A linha The Beat é um conceito parte das outras fragrâncias Burberry, no entanto. Sua contraparte masculina teve artistas da musica inglesa na divulgação, e como parte da inspiração para a criação do perfume em si.

Nome: The Beat for women
Marca: Burberry
Criado em: 2008.
Criadores: Dominique Ropion, Olivier Polge e Beatrice Piquet.

















Vanessa Anjos edita o PnP há 2 anos. Colecionadora de perfumes e diletante convicta em várias áreas, adora escrever e Internet, design gráfico Tabajara, fashionismo teórico (ela inventou o termo) e tem um monte de esboços sobre muitos projetos, que nunca são levados a cabo porque está sempre ocupada tentando mudar o mundo através da resistência passiva e um biquinho charmoso.
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