Lanvin Arpège Feminino Eau de Parfum

Lanvin Arpège Feminino Eau de Parfum

arpegeArpège, de Lanvin,tem uma história muito bonita. Muitos conhecem, mas para aqueles que não, vou transmitir a lenda. Mas para entender a história deste clássico da perfumaria, precisamos entender um pouco sobre o império Lanvin.

Jeanne Lanvin já era costureira em Paris, quando começou a confeccionar lindas roupas para sua filha. Estas roupas chamaram atenção, e as mães queriam que suas filhas também fossem vestidas por Lanvin. Logo, Jeanne também fazia as roupas das próprias mães, e assim seu império, inspirado em Marie-Blanche, cresceu.

lanvin-pic4 Jeanne Lanvin quis homenagear a filha, Marguerite (mais conhecida como Marie-Blanche), com um presente de aniversário de 30 anos. Queria mais: que este presente fosse eterno. Por isso, pediua André Fraisse que criasse, utilizando as matérias-primas mais sofisticadas e nobres, um perfume que lembrasse a aniversariante seu amor pela música. A inspiração veio de Marie-Blanche treinando escalas ao piano, embora mais tarde esta se tornasse conhecida por ser uma talentosa cantora de ópera.

Esta forte ligação entre mãe e filha, este círculo de amor e inspiração mútuos, é o tema constante de Arpège.

Arpeggio é um termo musical que defineo toque ligeiro ou lento dos sons de um acorde um após o outro: é o famoso dedilhado, onde as notas não são tocadas juntas como um bloco sonoro (formando o acorde propriamente dito) e sim sucessivamente.

Conforme se percebe que a união espiritual de mãe e filha são um acorde só, com distintas notas que podem expressar-se individualmente, Lanvin Arpège faz muito sentido e é belíssimo.

A fragrância foi criada em 1927. Arpège é considerada uma das 10 fragrâncias mais prestigiadas do mundo, um clássico ao lado de Chanel nº 5, Joy, Shalimar… Foi reformulada no início dos anos 90, para adicionar um toque de modernidade sem perder, no entanto, suas características originais.

1967-lanvin-arpege

1967

Trata-se de um aldeídico floral, muito característico. Suas notas são bergamota, aldeídosneroli, rosa, jasmim, íris, coentro, gerânio, cravo-da-índia, tuberosa, lírio-do-vale, ylang-ylang, baunilha, vetiver, sândalo e patchouli.

Sua fragrância talcada, picante, floral, como não poderia deixar de ser, envelheceu. Mas ao contrário de muitos perfumes que perderam seu encanto, Lanvin Arpège consegue ser superior ao tempo, e à moda.

Ainda assim, suas nuances sóbrias e luxuosas, sensatas e sólidas, são comoamor maternal. O gerânio e o cravo são nuances escuras, que em minha opinião, são a alma de Arpège. Embora se perceba muito mais a rosa e o jasmim, e a tuberosa, esta personalidade opulenta deve-se ao sândalo e aos já mencionados cravo e gerânio.


Os aldeídos fazem seu papel; de início, até impõem-se agressivamente. É neste momento que muita gente fecha o frasco e determina que Arpège deva ser evitado. As notas de saída são o que eu costumo chamar “perfume de véia (sem acordo gramatical aqui, véia)”.

É aqui que eu confesso que, por muito tempo, Arpège foi um perfume que eu evitei até abrir o frasco. Realmente acho a combinação aldeídica e citrus da fragrância meio “over”. Muito tradicional, muito sóbrio, talvez. Mas Arpège tem encantos que se deve ter paciência para descobrir.

1959

1959

O melhor de Arpège vem cerca de 2 horas depois (e quem espera isto hoje em dia, antes de comprar um perfume?)da aplicação. Deve-se esperar que os odores fragrantes, amargos e oleosos da combinação do cravo, bergamota e aldeídos, dêem espaço. Quando as flores polvilhadas de amor e certeza transparecem em sua pele.


Eu particularmente gosto desta fase. E gosto quando, três dias depois, abrimos uma gaveta com roupas com cheirinho de Arpège.

Posso dizer que o drydown é semanal, adocicado, ao contrário do que se imagina. Para sair da pele, só esfregando muito… O sândalo (e que quantidade exorbitante de sândalo), impregna.

Não aconselho que ninguém compre Arpège no escuro, entretanto. Somente aquelas que amam as lembranças de tempos idos, aquelas que sentem saudades, aquelas que tem tempo de abrir velhas gavetas, olhar fotos antigas. Amar incondicionalmente.

Obs.: Lembro-me que Arpège tem também um frasco transparente. Não me lembro se existe diferença entre os dois, pois só experimentei o de frasco negro.

Aliás, a imagem do frasco, um desenho do ilustrador Paul Iribe, representa mãe e filha, e tornou-se o símbolo da Maison Lanvin.

Em homenagem a este espírito totalmente idílico e vintage que Lanvin Arpège me proporciona, selecionei algumas propagandas antigas da fragrância. Espero que gostem.

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12 Comentários

  1. Adelia Sylvia Penna Ramos · 12/02/2014 Responda

    Estou com quase 77 anos e minha avó usava Arpège! De repente, me deu saudade daquela fragrância deliciosa e pedi a alguém que estava na França para me trazer um frasco. E fiquei tão desapontada quando percebi que mudou… queria “aquele” perfume de que meu olfato não esqueceu nunca e não está nem próximo do atual. Achei doce, e não me agradam os perfumes doces. Além disso, não durou na pele, como costumam durar os bons perfumes franceses – a gaveta não ficará perfumada, infelizmente!
    Definitivamente, a reformulação não me agradou.
    Você conheceu o Empreinte, de Courrèges? Era o que eu usava, até sair de linha.
    Parabéns pela página.

  2. Clemeilda · 09/04/2013 Responda

    Arpege é lindo(tenho o frasco preto) é chic, é pra quem sabe que vai marcar alem da pele e do olfato…assusta os menos avisados e encanta os que pagam pra ver e sentir…Cle

    • Srta. Anjos · 09/04/2013 Responda

      Verdade, Clemeilda. Tem que ter sensibilidade, as pessoas hoje só querem perfumes “sexies”, não sabem ver a beleza desta criação!

  3. Ivana · 13/09/2012 Responda

    Olá! Alguém poderia me esclarecer se existe diferença de fragrância entre o frasco negro e o transparente?

  4. José Eduardo · 11/09/2012 Responda

    Oi Srta. Anjos,
    Tinha curiosidade sobre a fragrância do Arpege, depois que vi as suas impressões o adquiri e presentei-o. Realmente tens razão quanto as notas que o compõem e quanto à sua qualidade e por conto do seu apreço por ele, gostaria de sugerir, caso não a conheça, a fragrância Rose Etoile de Hollande.
    Certamente irá gostar.

    Bonito o seu artigo
    Abraço

  5. Raquel · 22/08/2011 Responda

    Olá!
    Acabei de comprar o Arpege, por pura curiosidade, encantada com sua história, com a vinculação afetiva que propõe.
    Uso-o com parcimônia, mas sem medo. Principalmente porque dificilmente vou encontrar esse cheiro por aí em outras peles. É vintage, e vintage não é o velho que preservou sua capacidade de seduzir e ser desejável? Há várias formas de se fazer desejar. E como, nos meus 42 anos, começo a ressignificar essas ideias de velhice, rejeito o gesto de justificar o desagrado a um perfume identificando-o com um processo de “envelhecimento”.
    Também tenho usado o Chanel 19, e tenho a mesma impressão de que se trata de algo que não é novo, nem badalado, mas profundamente pessoal, afetivo.
    Por isso o Infusion d’Iris, de Prada, me decepcionou: é tímido, melancólico, bem aquém do que sua proposta publicitária propõe. Talvez eu ainda não o tenha compreendido…
    Bjs. Adoro seu blog, está nos meus favoritos.

  6. Sarah · 06/03/2011 Responda

    Notas aldeídicas me apavoram. Toda vez que sinto um perfume que não gosto e vejo que tem notas aldeídicas, as culpo, rs.
    Até que o Arpége é bom mas, claro, um perfume antigo e que tem as características dos perfumes da época em que foi feito.
    Cheiro de antiguidade.
    sabe o que me chama atenção nos “Lanvin”? O logo, acho lindinho.
    Aliás, meu desejo era ter o My sin, que deve ser do tipo de fragrância que não gosto, é até um pouquinho mais antigo que o Arpége mas, ele vinah no vidro preto com o logo da Lanvin e a propaganda era feita por um gato negro, lindíssimo. Eu queria mas, não se acha nesse vidro, só nos transparentes…aí num tem graça.Perfume ruim em vidro bonito até dá mas em vidro feio…

    • Srta. Anjos · 06/03/2011 Responda

      Bom Sarah, existiu um jeito de se usar aldeídos nos até os anos 70, mas hj em dia as coisas mudaram! Ele costuma dar aquele ardidinho que, em conjunto com algumas notas, lembra cheiro de sabonete! Mas veja só, um perfume famoso hj em dia, o Dolce & Gabbana Feminino, tem lots de aldeídos! Narciso Rodriguez Essence também!
      A perfumaria está reabilitando nosso amigo. Agora, perfumes vintage mesmo, não são faceis de usar hoje em dia, a gente sempre fica se sentindo deslocada.
      Eu não conheço o My Sin, já ouvi falar. Agora fiquei louca pra ver o frasco preto!bjks

  7. Renata · 16/11/2010 Responda

    Oi, Vanessa!

    Quando vi que você tem um blog de perfumes, fiquei doida. Eu amooo perfumes. Me aventurei até a escrever uns 2 ou 3 posts lá no meu blog, mas depois acabei envolvida demais com a maquiagem, haha.

    Eu sou da velha guarda, sabe? Quero dizer, até tenho perfumes novos, lançamentos e etc. Mas, eu gosto especialmente dos anos 20 para os perfumes. Acho que foi uma época de ouro e que o mundo perfumístico nunca foi tão grandioso e criativo – principalmente se considerando a diferença de matéria prima disponível entre aquela época e os tempos modernos. Tenho uma espécie de devoção pelo Jacques Guerlain (haha a louca) e adoro perfumes chypre. Adooooro Shalimar, adooooro Mitsouko, adoooro Chanel 5 :D

    O Arpège, para mim, é um perfume genial, ainda que difícil, ainda que tenha essa falsa aparência de senhoril. Acho que a fragrãncia dele se desdobra lindamente em diversas nuances que muito me agradam o olfato, sabe? Gosto de como ele evolui, gosto do que me desperta, uma certa nostalgia inexplicável.

    Gostei muuuito do seu trabalho e da sua escrita.

    beijosssssss

  8. perfumenapele · 02/05/2010 Responda

    Lanvin Arpège Feminino Eau de Parfum http://tinyurl.com/299vkm3

  9. Perfume na Pele · 02/05/2010 Responda

    Lanvin Arpège Feminino Eau de Parfum http://tinyurl.com/299vkm3

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