Lembro-me quando todos suspeitavam que o mundo tivesse sido vendido para os Estados Unidos; quando acharam que tinha sido vendido para o Japão. Agora, eu tenho certeza de que venderam o mundo para a Índia.
Teorias conspiratórias a parte, a fascinante e exótica cultura indiana está em voga e disto ninguém pode fugir. Na perfumaria, pode até ser que tenha muita gente que vire a cara (ou mais adequadamente, torça o nariz) para as fragrâncias orientais; mas elas são populares, por suas características sedutoras e misteriosas.
Eu adoro fragrâncias orientais; adoro especiarias. Meu primeiro perfume preferido foi o saudoso Shiraz da Natura. Agora, em edição limitada, (mas que pena) O Boticário lançou o perfume Sitar. Aproveitando a onda de inspiração?
Na verdade, Pode-se dizer que ele é mais uma releitura pop de uma fragrância oriental. E como vocês bem sabem, não se trata realmente de um “eau de parfum” ou de um “eau de toilette”, mas sim uma fragrância com as típicas nomenclaturas confusas que a indústria de perfumes brasileira costuma usar. Ainda me estendo sobre este assunto, mas por agora só posso relembrá-los que desodorante colônia significa uma parcela de essências bem inferior ao de um eau de toilette. Isto se reflete claro na famosa fixação de uma fragrância na pele.
Por isso, caros, não vamos comparar com os clássicos. Sitar não é um clássico nem foi feito para sê-lo. Inclusive, é sazonal, e quem for rápido vai conhecer.
Vale a pena conhecer Sitar?
Vale.
Sendo como eu disse, mais uma versão moderna e “usável”, ele surpreende por unir um cítrico doce com especiarias. E de maneira a não ficar nauseante, invasivo, ou simplesmente banal. Também não digo que seja a oitava maravilha perfumística, mas é interessante, principalmente se comparado aos outros lançamentos da safra O Boticário
Ah, você pode dizer, elas não estão presentes nas notas oficiais. Bom, realmente não estão. Mas neste caso, Marie Salamagne, da Firmenich, fez mágica.
“Inspirei-me no âmbar dourado porque traduz a feminilidade da mulher indiana que é, ao mesmo tempo, misteriosa e radiante e está sempre colorida com suas roupas, sempre feminina com sua maquiagem sedutora e suas joias”, explica ela.
Gostei realmente como a moça trabalhou as notas de saída para realçar uma laranja doce de doer (doce de madura), com as notas sensuais da ameixa. Você consegue perceber a bergamota, mas ela não domina; só traz um aspecto mais refrescante e leve.
Se você sabe reconhecer a delícia do jasmim manga, vai perceber que o acorde floral é sensualíssimo e fica “brincando” de alternar as flores, no caso, com a flor de laranjeira e a gardênia. Parece que você está ouvindo o dedilhar dos acordes de um instrumento musical (no caso, a cítara, o instrumento musical indiano que inspirou a fragrância).
A parte que eu mais gosto é em algum momento em que realmente consigo perceber as especiarias que não estão ali. Parece que acabei de entrar numa loja de produtos naturais_ a parte boa disso, claro). Não é o aroma especifico de uma especiaria, eu percebo cominho, açafrão… É um aroma indistinto e gostoso.
Fica muito interessante com o doce da baunilha e dos odores quentes do almíscar e do âmbar dourado. As madeiras são olorosas e nada tímidas.
Sim, parece que você está rodando um lenço de seda na figuração de Caminho das Índias; enquanto um remix indiano preenche a cena. hihihi…
Família Olfativa - Oriental Ambarado
• Saída: bergamota, laranja tarroco, bambu, ameixa.
• Corpo: flor de laranjeira, gardênia, frangipani.
• Fundo: cedro, sândalo, baunilha, ambar dourado, almíscar.


















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bom saber q se parece com o indian holi… seria uma opção cm maior fixação…