Em 1985 foi criado por Edouard Flechier um perfume que marcou a geração. Destinado a mulheres poderosas e ícone do luxo, Poison, da Maison Dior, com seu frasco púrpura noturno, quase negro, enfeitiçava.
Podem dizer o que quiserem de Poison; talvez inspirada por seu nome, eu não consigo dissociar a fragrância de um elixir com poderes mágicos. Mas claro, veja só, só poderiam ser poderes nefastos, como a poção do esquecimento que a bruxa Circe dava de beber aos marinheiros na Odisseia.
As frutas obscuras, maceradas em processos misteriosos, destiladas, cozidas com especiarias de propriedades místicas…
O binomio tuberosa e flor de laranjeir aqui é forte, persistente, e a alma do perfume, de certo modo. Para mim, este é o aroma de Poison. Eu sempre percebo frutas secas, como a ameixa, juntamente como mel e especiarias. As “ flores do mal”, cravo, tuberosa, heliotropo, rescendem em conjunto com madeiras doce-amargas, com resinas raras… Nem mesmo a rosa e a flor de laranjeira, símbolos do amor puro, podem salvar esta poção de seu apelo potente e intoxicante.
As mocinhas que ficassem com Anaïs Anaïs, afinal. O veneno, a poção era para um efeito sensual imediato, personificando a feminilidade sofisticada e poderosa.
Na minha lembrança de Poison, porém, alguma coisa mudou para o frasco que tenho em relação aquele aroma original. Não sei. Ainda assim, a fragrância remete aos ritos de sedução e para mim, tem o mesmo significado que o de uma borboleta que sai da crisálida: metamorfose e poder.
Aliás, para mim, o frasco lembra uma maçã negra e deturpada, retorcida. Quer um perfume gótico? Use Poison!



















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Fiquei muito feliz com a sua visita ao meu blog. Bjs
Eu amo Poison, amei o post! E as mocinhas com Anaïs é uma comparação ótima também kkk!
Beijos!