Shiseido Zen Concentrated EDP
Semana passada chegou às minhas ávidas mãozinhas o Shiseido Zen Concentrated, eau de parfum com história e, claro, aqui estou mais uma vez para partilhar com vocês minhas experiências olfativas.
Eu topei com esta promoção online, onde a tive oportunidade imperdível de adquirir um dos meus perfumes-desejo, e ainda mais numa versão concentrada!
Para que eu possa entrar no mérito da fragrância, vou me alongar um pouco sobre a história do conceito que envolve Zen.
A verdade é que a Shiseido (marca de cosméticos japonesa que, muito mais que vender
beleza, é uma das mais luxuosas e elitistas do mundo) já havia criado o primeiro Zen, em 1964. A garrafinha em estilo oriental, com nuances amadeiradas e florais, (desculpem, jamais tive acesso a este Cult dos perfumes) tornou-se um marco, com seu conceito espiritual engarrafado e exportado em forma de fragrância. O primeiro Zen foi descontinuado, e em 2000, foi substituído por uma nova versão (alguns chamam de encarnação, pode?). Esta versão, em um frasco branco de linhas puras, trazia alguma ligação aromática com seu antecessor (ancestral, talvez), sendo muito mais voltado à visão moderna do que é a filosofia zen, do que aos aromas de incenso e madeira que traziam o perfume anterior.
Mas, em 2003, a Shiseido tira o Zen branco do mercado, e nos presenteia com uma fragrância diferente (a terceira encarnação?), um conceito novamente reinventado, e um belo frasco cúbico de uma elegância impar.
Conceito de Zen? Mas o que é Zen?
Zen é uma escola budista de contemplação da realidade, em busca da iluminação. Não significa uma calmaria meditativa, embora esta seja a imagem que nós, leigos, possamos imaginar a primeira vista. E o perfume Zen, na versão 2007, quer trazer á mulher, uma visão de contentamento interior, satisfação dos desejos por um sentimento de harmonia e bem estar total consigo mesma, ligando a mulher ao verdadeiro e mais profundo conceito de iluminação pessoal através de um ritual. No caso, não a meditação, mas o ritual de perfumar-se.
Não diria que, abrangendo todas as notas que abrange, Zen devesse ser classificado um floral amadeirado, como se isso resumisse o Zen (achou complexo? Eu também!). As notas listadas são variadas, indo das frutas ao couro, abarcando, com elegância, equilibrio, e fascinação, esta miríade de possibilidades olfativas.
Sei que, falando desta maneira, estou praticamente descrevendo o perfume perfeito. Mas, claro, o perfume perfeito está na percepção de quem sente, e assim sempre será. O que posso dizer, com segurança, é que o cuidado, a riqueza, a sensibilidade presentes neste frasco cúbico é especial e merece sua atenção.
A abertura de Zen, com as notas cítricas (hespérides, como dizem os chiques), é ensolarada, mas além, disso, e arquitetada com uma sutileza que você não é agredida por elas. Ao contrário, existe uma certa qualidade aérea e transparente nas notas de saída que dão a impressão de que as pétalas de flores estão flutuando sobre um límpido riacho. Todos que acompanham o Perfume na Pele sabem o quanto eu tento fugir de comparações visuais, mas às vezes fica difícil falar de algo intangível. De qualquer modo, se acharem que estou ficando poética demais, avisem, ok?
A grapefruit, bergamota, pêssego, abacaxi são envelopadas por uma exótica flor (ou aroma de flor, se preferirem): a rosa azul. Legendária, na verdade um híbrido de rosa e violeta, trazendo um aroma muito mais suave de rosas com um delicado aroma de limão. É esta flor, com certeza, que parece flutuar delicadamente numa manhã ensolarada, de maneira que a primeira impressão é de as flores será a dominante da fragrância. Neste ponto, Zen é suave e pretende acalentar sua pele a seduzi-la com delicadeza. A magnolia, com seu perfume inebriante, também entra nesta parte do perfume (em tempo: como Zen foi concebido para proporcionar, além do prazer do aroma, relaxamento profundo através da aromaterapia, a magnólia, com seu conhecido e comprovado poder antistress, deve ter algo a ver com a sensação de paz que pó perfume traz.
Zen não é na verdade, um perfume de saltos, mas seus aromas evoluem numa
Zen foi criado, segundo seus idealizados, para unir o refinamento e a leveza, tornando o Zen tradicional em junção a um elemento moderno numa experiência energizante e equilibrada que seduzisse a mulher.
seqüência a harmoniosa. O abacaxi, estimulante, brinca aqui e ali. Nas notas do coração, eu fielmente percebi (além da composição floral exuberante com jasmim, gardênia, jacinto e frésia, trazendo um aroma frio e delicado), o aroma do incenso. Mas não aquele incenso pesado e enfumaçado, opulento, de outros orientais. Na verdade, imagine um delicado suporte numa sala japonesa, onde um palito de incenso queima e o calor de sua brasa pode ser observado enquanto o fogo o consome. O aroma leve se desprende, mas o principal odor é o do fogo. É este o aroma de incenso em Zen. E este aroma preenche o espaço, evocando o elemento ar e o elemento fogo.
Finalmente, os elementos que simbolizam a terra, o cedro e o patchouli, entremeados de baunilha e de um couro que para mim, é amargo e natural, são salgados pela água do mar. Neste ponto, a experiência luxuriante de Zen me fascinou ainda mais. Porque ele passa de um floral maravilhoso para algo quente e vívido, extremamente elegante. E o passeio pelos 5 aneis (terra, água, ar, fogo e a energia que entremeia a vida) foi completa, e os aromas sensuais do musk e do âmbar perduram deixando um rastro quente na pele. Sua durabilidade na pele é de mediana para longa.
Zen Concentrated me proporcionou esta experiência em doses intensas, com uma concentração de essência maior. Não é um perfume que agrida e, posso dizer com toda a sinceridade, ele promete o que faz. Se você tiver a oportunidade de comprá-lo, experimente tirar um tempo para sorver seu aroma aos poucos. Garanto que sua impressão deve ser bem parecida com a minha.
Claro, Zen não é nem será um perfume popular, e nem digo isto por causa do preço ou algo do gênero. É que sua aura de confiança e contentamento pessoal talvez não possa ser compreendida por aqueles que buscam apenas impressionar.
É um perfume complexo, cheio de nuances, diferente e extremamente bem acabado. De uma elegância leve e límpida. Não é um arrasa quarteirão, feito pra a balada ou coisa assim. Mas com certeza pode se tornar sua assinatura, com sensibilidade e brilho próprio.



















Vanessa Anjos edita o PnP há 2 anos. Colecionadora de perfumes e diletante convicta em várias áreas, adora escrever e Internet, design gráfico Tabajara, fashionismo teórico (ela inventou o termo) e tem um monte de esboços sobre muitos projetos, que nunca são levados a cabo porque está sempre ocupada tentando mudar o mundo através da resistência passiva e um biquinho charmoso.
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