S.T Dupont pour Femme
S.T. Dupont pour Femme foi um perfume que eu acabei comprando em uma das minhas incursões pelos porões das perfumarias online. Pensei comigo: vale a pena conhecer, sempre ouvi falar bem do Orazuli (extinto perfume da marca), nunca experimentei nada deles…Vamos lá.
Considerando-se que S.T. Dupont Pour Femme foi lançado em 1998, esperava que este chypre floral tivesse uma outra personalidade. Quando se olha a lista de notas que o nez Bertrand Duchaufour investiu na fragrância: groselha preta, maracujá, melão, tangerina, limão e gálbano; ciclâmen, magnólia, cravo, gardênia, jasmim, orquídea, ylang-ylang, lírio-do-vale e rosa no coração da fragrância; e sândalo , âmbar, patchouli, almíscar, musgo de carvalho, cedro e jacarandá nas notas de fundo, fiquei esperando algo mais exuberante, denso, imponente… Não foi o que eu achei.
Para quem não sabe, S.T. Dupont pour Femme foi o primeiro perfume da marca, em companhia de sua contraparte masculina. Depois do duo, a marca lançou outros perfumes mais famosinhos, principalmente o masculino Signature. Aliás, a marca, criada por Simon Tissot-Dupont em 1884, é mais especializada em artigos de luxo como isqueiros, canetas, relógios, carteiras e claro, fragrâncias.
Sabe, eu detesto me decepcionar com um perfume. Sou bastante otimista em relação a eles, costumo dar todas as chances, isto é, uso em variados dias para “deixar acontecer”, enfim, encontrar o ponto onde eu entendo o perfumista e seu conceito. Principalmente quando eu invisto meu rico dinheirinho. Mas S.T. Dupont pour Femme não colaborou.
Na verdade, o gálbano confronta-se logo na entrada com uma profusão de notas frutais confusas, e posso dizer que a primeira impressão é de que estamos diante de um repelente de insetos, no mínimo. Fiquei perplexa porque esperava uma abertura mais cítrica e exuberante; mas é como se o perfume passasse do galbano para s notas amadeiradas-musgosas com uma presença muito transparente das flores. Sua presença que poderia ser quente e sensual é totalmente obliterada pelo tom amargo-musgoso de sua característica chypre. As notas florais parecem pisadas e repisadas, e jogadas na água fria. Quando o fundo de patchouli e toda sua finalização chypre acontece, resta um fundo amargoso (típico), onde o âmbar ressalta de maneira a lembrar um daqueles desodorantes spray em tubos de plástico. Na verdade, o perfume, em todo o momento, é mais amargo, com tênues flores quase talcadas, sem muito brilho. E ele dura pra caramba na pele!
É engraçado porque eu curto vários tipos de perfumes, Calandre, por exemplo, eu acho o máximo e é tão seco quanto. Mas definitivamente S.T. Dupont ficou mais para estranho do que para sofisticado.
Sabe, eu até consigo imaginar o tipo de mulher que teria apreciado este tipo de chypre tão ultrapassado, mesmo para 1998. É o tipo da Odete Reuttmann (ou a Dilma Roussef). Eu, definitivamente, vou ficar com o frasco, que eu achei bem bonito e com um sistema de tampa bem interessante_abre iguala tampa de um isqueiro. . Mas dificilmente vou usar S.T. Dupont pour Femme.
Ainda querendo uma gotinha de Orazuli. Alguém tem?
Hoje eu não tenho um video sobre a fragrância, mas resolvi ilustrar o poder da marca S.T. Dupont, trazendo um video (dentre vários que vi) onde os fãs da marca demonstram o inigualável som de um isqueiro exclusivíssimo da marca sendo aberto. Pling!
Fast Tube by Casper




















Vanessa Anjos edita o PnP há 3 anos. Colecionadora de perfumes e diletante convicta em várias áreas, adora escrever e Internet, design gráfico Tabajara, fashionismo teórico (ela inventou o termo) e tem um monte de esboços sobre muitos projetos, que nunca são levados a cabo porque está sempre ocupada tentando mudar o mundo através da resistência passiva e um biquinho charmoso.

É verão!
Tente usar o perfume num dia especialmente quente.
Como você já comprou o perfume vale à pena tentar.
O aroma pode mudar e agradar!
Boa sorte Srta. Anjos.
Sou sua fã.