Tudo o que você quer saber sobre Água de Colônia

A água de colônia é um tipo de fragrância, onde a concentração de óleos essenciais não deve passar de 5%. Toda água de colônia deveria, per se, ser considerada unissex. Historicamente, credita-se a Johan Maria Farina, italiano radicado na cidade de Köhn (Colônia) no início do século XVIII, a criação do princípio do que hoje chamamos de água de colônia.

Basicamente, toda “colônia” tem acordes cítricos proeminentes nas notas de topo. Composição primordialmente aromática no corpo, e trata-se de uma fragrância leve e unissex. O teor de essência na fragrância varia entre 2-8%, e o comum é entre 4-5%. Curiosamente a fragrância original de Farina continha cerca de 8% de óleos essenciais, o dobro do que se usa hoje.

O fato de posteriomente, em muitos países (como nos Estados Unidos, por exemplo), colônia ter se tornado sinônimo de perfume masculino, se deve ao fato de que os perfumes masculinos praticamente passaram a existir (anteriormente todo perfume era unissex) somente depois da invenção da água de colônia. Provavelmente os perfumes masculinos derivem da água de colônia, considerando o massivo uso de essências cítricas e frescas, e composições aromáticas (herbais). A adoção dos óleos cítricos na composição de fragrâncias, principalmente o uso o óleo de bergamota, elemento  primordial nas águas de colônias, foi fundamental para que os homens ganhassem perfumes exclusivos.

Como curiosidade, por causa do álcool (antigamente se usava alcool feito de uva), alecrim e oleos cítricos, as pessoas usavam Água de Colônia até como enxaguante bucal e clareador dental, hábito até recomendado antigamente (lembrou de Scarlett O’Hara em E o Vento Levou? Pois é! ). Outro uso curioso era o de preventivo contra a peste bubônica.

Históricas e famosas: Original Farina Eau de Cologne e 4711 Original Eau de Cologne

Este tipo de fragrância fez a fama da cidade de Colônia, na Alemanha, tornando-a mundialmente conhecida. Foi nesta cidade que Johann Maria Farina, em 1709, deu fama a Água de Colônia, de fragrância sutil e fresca, em contraponto com as intensas composições da época. No século XVII perfumes eram artigo de primeira necessidade nas cortes européias, e logo a novidade alemã tornou-se sinônimo de todas as fragrâncias (copiadas e inspiradas) que se sucederam depois utilizando os mesmos princípios básicos.

Na verdade, a Água de Colônia foi criada pelo barbeiro italiano Gianpaolo Feminis. Sabemos que, antes de se tornar conhecida dos compradores e leigos pelo mundo afora, a água de colônia chamava-se na verdade Acqua Mirabilis, algo entre cura-tudo e perfume.

Napoleão carregava consigo frascos de Eau de Cologne desenhadas para ele, em formato de pergaminho, para que ele carregasse junto consigo todo o tempo dentro do casaco.
Napoleão carregava consigo frascos de Eau de Cologne desenhadas para ele, em formato de pergaminho, para que ele carregasse junto consigo todo o tempo dentro do casaco.

Feminis passou a fórmula a família Farina (Johan era um destilador), e foi em Colônia que a Acqua Mirabilis se converteu em Jean Farina Eau de Cologne, graças a uma leve reformulação feita por Farina.  A mudança do nome deve-se, supostamente, a uma homenagem de Farina a cidade que o acolheu como cidadão numa época em que isto era muito difícil, e este “charminho” francês no nome, uma estratégia de marketing. A Farina Gegënuber é considerada a primeira empresa perfumista, e existe até hoje.

A história conta que seu criador inspirou-se nos aromas campestres do Mediterrâneo, traço preservado na maioria das colônias que mantém o estilo mais clássico da composição. A fragrância continha os mais requintados óleos essenciais do mediterrâneo, como a bergamota, lavanda, limão, laranja, Neroli, cardamomo e pomelo, além de alecrim. Numa época onde as composições eram em sua maioria florais ou orientais, e densas e fortes, a leveza das notas cítricas, que rapidamente ganham vida e tonificam logo nos primeiros minutos de evaporação, tornou-se um sucesso adotado logo em praticamente todas as cortes do mundo.Não demorou e a Eau de Cologne era usada até mesmo pelo imperador Napoleão, que era obcecado por perfumes e carregava sua Eau de Cologne junto ao corpo, num frasco em formato de pergaminho desenhado por Farina, que cabia em seu casaco.

Como uma fórmula dessas acabaria atraindo plagiadores e interessados, muita gente lucrou por um bom tempo com a formula original, e variações. Um dos descendentes, em 1862, vendeu a tal fórmula para a Roger&Gallet, por exemplo, que fez sua propria versão com o nome de Farina.

Além da Original Eau de Cologne, da casa Farina, outro grande e antigo nome na fabricação deste tipo de flakon_100mlfragrância foi e continua sendo o 4711 Original Eau de Cologne Müelhens. A conhecida e interessante história da fragrância e da marca conta que no início, Wilhelm Müelhens, criador da fragrância, usava o nome de Farina indevidamente. Durante a época da ocupação de Colônia, todas as casas da cidade foram numeradas por ordem de Napoleão. Coube à casa do perfumista o número 4711 (siebenundvierzig elf, em alemão, conhecida também como Das Wunderwasser, água maravilhosa e Kolnisch Wasser, Água de Colônia. Coincidentemente parecido com o Acqua Mirabilis…).

Segundo uma história muito conhecida, um monge cartuxo deu como presente de casamento a Ferdinand Müelhens a fórmula da Acqua Mirabilis, uma água milagrosa, pois tinha uso duplamente interno e externo. Müelhens logo iniciou a comercialização do ‘Tônico’. Porém Napoleão nesta época confiscou todas as formulas químicas para “uso interno”, por medida de segurança. Muelhens então registrou a fórmula como sendo para uso externo. Como nesta época ele usava o nome da Eau de Cologne de Farina, a história é confusa, o que se sabe é que seu neto registrou a fórmula com o nome que conhecemos hoje, endereço do comércio da família.

Os ingredientes da 4711 Original Eau de Cologne e da Original Jean Farina Eau de Cologne são praticamente os mesmos, mas há diferença nas composições, por conta de ‘ingredientes secretos’ no blend de ervas que as compõem.

Clássicas: Outras Águas de colônia famosas e fórmulas raras

Algumas são encontradas ainda hoje.

  • Guerlain Eau de Cologne Imperiale foi criada em 1860, especialmente para a Imperatriz Eugênia,
    Criada apenas um ano depois da Eau de Cologne de farina e com o mesmo conceito, a americana Floriada Water não ganhou a mesma fama da composição de farina. Hoje, é oferenda para rituais de Hoodoo e santerias. E vem em garrafa plástica!

    Criada apenas um ano depois da Eau de Cologne de farina e com o mesmo conceito, a americana Florida Water não ganhou a mesma fama da composição de Farina. Hoje, é oferenda para rituais de Hoodoo e santerias. E vem em garrafa plástica!

    esposa de Napoleão III

  • Eau de Cologne Hermes criada em 1979
  • Lavande Royale Roger & Gallet criada em 1899
  • Acqua di Parma Colônia criada em 1916, muito usada por celebridades da Época de Ouro de Hollywood
  • Chanel Eau de Cologne 1924
  • Jean Marie Farina Extra Vieille Roger & Gallet criado em 1806 (será que a fórmula continua a mesma?)
  • Florida Water (criada em 1808, só um ano depois de Farina criar a Eau de Cologne, na America. Parece que Florida Water hoje em dia é usada em rituais hoodoo, santerias e outras macumbas em geral. Mas também! A garrafa atual é até de plástico!!!).

E recentemente, devido à incessante pesquisa de amantes de perfumes, recriaram as colônias exclusivas de Napoleão e do Papa Pio  IX. É mole?

Atuais: Sugestões e variações sobre o tema da água de colônia.

  • La Cologne Du Parfumeur Guerlain
  • Orange Leaves Eau de Cologne L`Occitane en Provence
  • Eau de Cologne 1920: Extravieille Jardin de France
  • Les Colognes Hermes Eau d`Orange Verte Hermes, nova versão de Eau de Cologne Hermes recriada por Jean Claude Ellena
  • Acqua di Parma Blu Mediterraneo – Arancia di Capri
  • Escale a Portofino Dior
  • Les Exclusifs de Chanel Eau de Cologne, reformulação do original de 1924
  • Mugler Cologne Thierry Mugler
  • Cologne Royale Dior

Brasileiras:

Selecionei algumas águas de colônia ou talvez, body splashes/águas de cheiro, como são conhecidas as versões com teor de essência menor que 4%, selecionadas das marcas brasileiras mais conhecidas de perfumes. Interessante notar que a maioria delas é considerada para uso feminino. Se eu deixei de citar seu preferido, me perdoem e indiquem.

·        Acqua Fresca O Boticário

·        Acqua di Colônia Citrus O Boticário

·        L’acqua Perfumada Fougère L’Acqua de Fiori

·        Lavandas Do Brasil Citrus da Água de Cheiro

·        Água Fresca Água de Cheiro

·        Natura Água de Colônia Flor de Laranjeira

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5 Comments

  1. A eu amo os Cítricos o que não me agrada muito é os Extremamente amadeirados.
    000 Votos
    Reply

    Ah então as águas de colônia são ideais para vc!!!
    0

  2. Lucas /
    Muito interessante saber sobre as águas de colônia. Eu acredito que perfume não tem sexo, afinal não vemos as partes íntimas das composições , compro o que me agrada. O certo seria que todos perfumes fossem feitos em vidrinhos quadrados e transparentes e todos escolhessem o perfume que se sentisse melhor( não o que a “mídia” coloca), que o fizer-se ter alguma lembrança, algum sentimento profundo, amor mesmo, e depois sim colocasse no potinho de própria escolha.

    E Parabéns, haha adoro ler suas resenhas dos perfumes.

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