Cacharel Anaïs Anaïs EdT
Algumas pessoas não gostam de perfumes. Gostam de cheiros. Gostam de cheiros de comida, de cheiro de baunilha, de cheiro de carro novo, de cheiro de bebê. Outras pessoas gostam de conceitos. O conceito do perfume fatal, o conceito do perfume de ninfeta, o conceito de vanguarda…, que seja. Mas quem gosta de perfumes, entende e respeita quando algo, mesmo que não se adéqüe ao seu gosto pessoal, mesmo que não se adéqüe a moda corrente, e mesmo que traga lembranças estranhas, ainda é um bom perfume.
Anaïs Anaïs (não sou nenhuma especialista em francês, mas há muitos anos atrás, quando trabalhei num perfumaria, me ensinaram que se pronuncia mais ou menos assim: Ané-né. O fato é que se pode perceber nos anúncios em inglês e francês pronunciando-se Ana-ís Ana-ís) foi a primeira fragrância da marca francesa Cacharel, lançada em 1978, e continua sendo fabricada até hoje por um bom motivo: É um ótimo perfume.
Em minha opinião, uma das melhores criações da perfumaria no século passado. O perfumista foi Roger Pellegrino da Firmenich e o delicado frasco foi desenhado por Annegret Beier.
Mesmo que os florais-muguet, este tipo que por muitos anos foi um sucesso na Europa (muguet é lírio-do-vale), não estejam mais em voga, por suas nuances saponadas, a fragrância continua tendo consumidoras e fãs fiéis. Anaïs Anaïs foi um estrondoso sucesso nos anos 80, quando praticamente toda moça romântica tinha um na penteadeira.
Quando eu era adolescente, uma
parenta que vendia Contém 1 Gr (na época em que a marca vendia contratipos de fragrâncias famosas) me ofereceu um de presente. De todos os que provei no mostruário, exatamente o similar à Anaïs Anaïs foi minha escolha.
Não é que seja o tipo de perfume que combine comigo hoje. Mesmo assim, rendo-me ante à sillage, longevidade, combinação de elementos e expressão de uma idéia que foi comprada por muitas mulheres até hoje.
O perfume foi batizado com o nome da famosa escritora francesa Anaïs Nin, tendo sido criado um ano após sua morte. Anaïs escrevia majoritariamente conteúdo com forte apelo erótico_parte de sua vida foi
retratada no filme Delta de Venus (Henry & June, 1990), o que é interessante, quando muita gente associa a fragrância à inocência.
Entretanto, existe em Anaïs Anaïs uma misteriosa porção de sensualidade latente: é explicitada pelas notas picantes, subtonais, que seu olfato capta sem saber explicar.
Aliás, há pouco tempo atrás a Cacharel tentou sem sucesso criar um novo perfume com a mesma idéia original: Scarlett. Anaïs Anaïs continua imbatível, entretanto.
* notas de topo
Bergamota, gálbano, Jacinto, madressilva
* nota do coração
Lírio, Lírio do vale, rosa, ylang-ylang
* notas de fundo
Cedro, âmbar, sândalo, musgo de carvalho
O que você sente nos acordes de saída são notas agressivas e florais, que se adocicam de uma maneira com
que a maioria das pessoas não está mais acostumada hoje (não sem baunilha)_ é o doce puro das flores. O lirio do vale mantém uma sutil refrescância, exatamente por sua memoria de um banho recém tomado. Neste ponto eu começo a sentir o musgo de carvalho. E eu tenho um ligeiro problema com musgo de carvalho. Eu adoro, mas me faz espirrar (o que significa que apesar de gostar de muitos chypre, uso os que têm menor quantidade de musgo). O cedro é quente, ambarado, e no geral, a fragrância me lembra aqueles casarões enormes de campo, em filmes ingleses.
Onde um gramado extenso envolve uma casa cheia de memorias, onde o jardim é tocado pelo sol e as flores rescendem enquanto o orvalho evapora. E se você tocar estas pétalas, neste exato momento, este orvalho vai se impregnar em sua pele com a doçura das flores. Isto tem uma sensualidade subjacente que talvez seja dificil de compreender hoje.
Anaïs Nin foi realmente imortalizada pela fragrância com seu nome, porque Cacharel Anaïs Anaïs pode ser considerado um perfume imortal.
No post, alguns anúncios antigos de Anaïs Anaïs.
Fast Tube by Casper
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E o novo vídeo, lindo:
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Onde Encontrar: Época Cosméticos Perfumaria (clique e siga o link)



















Vanessa Anjos edita o PnP há 3 anos. Colecionadora de perfumes e diletante convicta em várias áreas, adora escrever e Internet, design gráfico Tabajara, fashionismo teórico (ela inventou o termo) e tem um monte de esboços sobre muitos projetos, que nunca são levados a cabo porque está sempre ocupada tentando mudar o mundo através da resistência passiva e um biquinho charmoso.

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