Dolce & Gabbana The One Gentleman EdT
Vamos esquecer Matthew McConaughey por um momento. Se possível. Nos concentrar primeiro nas sensações que o aroma de Dolce & Gabbana The One Gentleman traz.
A versão “Gentleman” da fragrância The One é do ano passado, sendo mais sutil e voltada para um público mais maduro e sofisticado. A palavra chave aqui é sutil. Este oriental amadeirado tem tudo para agradar o homem mais exigente. Se tem uma coisa que combina com homens assim, que não cheiram ao dândi jovem e um pouco exibicionista retratado por One Million, mas ao cara low profile e seguro de si, retratado aqui, é a combinação lavanda e aromáticos no tom certo, com baunilha ao fundo. Um ambar que dá certo, madeiras balsâmicas elegantes e a sensação de ar puro logo no início.
The One Gentleman é light, e é oriental e amadeirado, seco, equilibrado, sensual sem ser apelativo. Para mim, um dos melhores perfumes masculinos dos últimos tempos, uma grata surpresa entre o tradicional e o moderno. E eu adoro cardamomo.
O perfume inicia com uma entrada bastante aromática, com muita pimenta do reino e notas cítricas um pouco amargas, provavelmente grapefruit. Logo o cardamomo e a lavanda, bastante fresca, fazem sua aparição, juntamente com uma nota anisada (fennel, talvez). A
sensação é boa, muito boa. O melhor é que o perfume evolui e se releva aos poucos. As notas médias só chegam com quase uma hora de uso. A primeira impressão é um tanto agressiva e tradicional, verde. Entretanto as notas vão abrindo aos poucos a um calor e doçura interessantes e cativantes, muito próximos da pele. O que eu quero dizer é que este não é um perfume para encher uma sala. A projeção é discreta, o perfume se atém ao seu corpo. Projeção morna, cremosa e quase que aveludada ao toque, mas próxima à pele.
Eu percebo madeiras olorosas no corpo da fragrância, um pouco resinosas talvez. Flores, com certeza. O perfume não é nenhum píncaro de inovação, mas para mim, é extremamente eloqüente ao prometer um homem educado, gentil, seguro e sofisticado, sem ser arrogante. O perfume não é arrogante.
As notas oficiais são bastante vagas de propósito, já que a dupla de designers italianos pretendia apenas que as pessoas se concentrassem “ na sensação”. Ah sim, eu me concentro na sensação, queridos Stefano e Domenico. É um mix de Dior Homme e L’Instant de Guerlain para principiantes, acho eu. Ou seja, bastante recomendado.
Aliás, a palavra doçura pode ser interpretada como doçura da baunilha. Não, a baunilha aqui não é doce, nem o perfume. Na verdade, a baunilha aqui cria uma atmosfera escura, enfumaçada, sexy e máscula, em simbiose com o patchouli sensual.
Embora a projeção não seja o seu forte, a longevidade é bastante boa: apliquei uma borrifada no pulso às 4 da tarde e às 2 da manhã o dry down ainda era bem convidativo e nítido. Cerca de 10 horas para mim é bem convincente.
Agora, que o Matthew McConaughey está tão maquiado e photoshopado que nem parece com ele mesmo, vamos combinar, não é gente? Pra mim está parecendo um pouco com o Christian Bale. Também não sei se ele combina com o estilo do perfume, acho que ele não é um exemplo de gentleman (mas ficaria bem com perfumes esporte).
Como nota final, me apaixonei pelo frasco e cor do perfume.
Thierry Wasser criou Dolce & Gabbana The One Gentleman em 2010.
O video:
Fast Tube by Casper
Onde encontrar Dolce & Gabbana The One Gentleman: Época Cosméticos Perfumaria (clique e siga o link)



















Vanessa Anjos edita o PnP há 3 anos. Colecionadora de perfumes e diletante convicta em várias áreas, adora escrever e Internet, design gráfico Tabajara, fashionismo teórico (ela inventou o termo) e tem um monte de esboços sobre muitos projetos, que nunca são levados a cabo porque está sempre ocupada tentando mudar o mundo através da resistência passiva e um biquinho charmoso.

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