Grès Cabotine Gold

Sendo Cabotine Gold uma revisita ao original Cabotine, de 1990, achei que valia a pena ver qual a  nova interpretação para este perfume, por vezes considerado difícil para o gosto moderno. Mais uma vez, realizei extensivas experimentações, já que fiquei indecisa em como descrevê-lo para vocês.

Antes de qualquer coisa, Cabotine Gold, da marca francesa Grés, tem cheiro de perfume. Como alguns outros (sendo em minha opinião  J’Adore um bom exemplo, cheiro de perfume e só).  Enquanto o perfume da Dior é bem mais refinado que Cabotine Gold, este carece de algum conceito que transcenda, ou seja expresso, através das notas da fragrância. Uma fragrância que lembra “perfume, em si” não é está cometendo um pecado, mas talvez um pecadilho menor. Ficamos sem saber se foi inépcia do perfumista em transformar o original em algo novo e vibrante, ou se simplesmente não há remédio para algumas fórmulas.

Mas vamos ao que é bom (porque nada é tão ruim, nem nada é tão bom): Eu gosto da abertura cítrica, com notas de mandarina, damasco e o ardido da pimenta rosa (esta combinação geralmente faz com que o perfume “pareça perfume”, já que é tipo um clichê, mas aqui combina com o que vai vir pela frente: notas florais), o exotismo refrescante da nota de melão (não melancia) e das notas médias, que embasadas em flores brancas com este mesmo toque de melão presente no original, oferecem uma feminilidade comedida, polida e adulta. São acordes agradáveis, que se desenvolvem com certa complexidade romântica e levemente sensual.

O que eu não gosto em Cabotine Gold: o âmbar HORROROSO, barato, que gruda feito cola e impregna de uma maneira que a mim, ao menos incomodou bastante.  Devo dizer que ambar de baixa qualidade ou não dosado tem cheiro de alguma coisa animálica inominável misturada com cola. Esta nota agressiva e desequilibrada na composição chega antes até mesmo que o vetiver e o patchouli tenham a oportunidade de se desenvolver completamente, mascarando seu efeito. Foi desanimador mesmo. A projeção do perfume, assim como sua longevidade, é bem razoável, mas infelizmente achei o equilíbrio da composição bastante comprometido pelo âmbar mal colocado.

Lançado em 2010 como edição limitada, Cabotine Gold foi criado por Vincent Schaller, da Firmenich.

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