Perfumes bons e “perfumes bons”
Bom, de repente eu ando meio filosófica por estes dias (deve ser o efeito do Sol posicionado no meu signo lunar), mas acho que resenhar perfumes, em geral, tem muito a ver com saber colocar patamares de qualidade nos quais os perfumes devem se encaixar. Enfim, eu não posso cobrar de um perfume de 15 dólares o mesmo padrão de qualidade que eu certamente espero de um perfume que custe mais que 60 dólares. Claro que se eu encontrar este padrão num perfume que teve um custo de produção tão inferior, ou que é considerado um produto voltado para a “massa”, eu vou noticiar com prazer. Mas seria no mínimo equivocado querer exigir ingredientes superiores, acabamento sofisticado e uma diferenciação, enfim, em produtos que se preocuparam muito em não ultrapassar um certo valor final de venda ao consumidor.
Opção minha ou deficiência, eu gosto de resenhar todo o tipo de perfume. Alguns outros blogs brasileiros, bons por sinal, especializam-se em perfumes mais exclusivos, os “niche”. Eu resenharia até um Jequiti, e outras marcas mais populares. Só me faltou oportunidade se não o fiz até agora.
Por isso, se eu dou uma opinião mais positiva para perfumes que “nem se comparam” com outros, provavelmente estive levando em consideração o patamar em que ele se encontra, o custo-benefício e outras “cositas” mais.
Do mesmo modo, eu com certeza vou exigir mais de marcas que têm tempo e dinheiro para investir. Hoje em dia muitas marcas famosas se preocupam mais com a sazonalidade, criando flankers que tem o único objetivo de ser mais um lançamento já meio pronto se aproveitando de uma fórmula básica e de um nome já conhecido, do que com o compromisso de criar fragrâncias novas e de qualidade e originalidade.
Sim, eu entendo que hoje os dias são outros, mas convenhamos que andam faltando “novidades” de verdade, coisas que nos emocionem de verdade hoje em dia. Poucos perfumes novos têm uma inspiração diferente de querer parecer mais rica e glamourosa do que se é (acho engraçadas, divertidas porém banais inspirações sobre os conceitos de One Million e Lady Million, ou 212 VIP, por exemplo; mas enfim, isto sou eu).
Além disso, bem sabemos que hoje até a cachorrinha de estimação de uma subcelebridade pode ter um perfume. Celebridades de gosto duvidoso servem de inspiração para perfumes que não seriam aprovados normalmente (acho que estou falando do perfume de Reb’l Fleur da cantora Rihanna, credo). É o capitalismo, é a globalização, é o efeito fast food no mundo fashionista de que a perfumaria faz (infelizmente) parte.
É sempre bom encontrar surpresas boas onde não se espera, é sempre bom dar o braço a torcer, é sempre bom ser humilde e saber reconhecer que, dentro de alguns limites, algo se supera. Do mesmo modo, é ultrajante pagar caro sem receber o que deveria; comprar o nome estampado na caixa, comprar um conceito muito bonito, mas mentiroso.
A sensibilidade de cada um, as expectativas e experiências podem variar, mas beleza é sempre beleza (algumas mais brutas, outras mais lapidadas, umas fazendo milagres com os recursos que dispoem, outras mais sofisticadas naturalmente), para qualquer um dos seus sentidos.
Não se envergonhe em assumir seu gosto por perfumes bons mas baratos; às vezes comida caseira ou o cachorro quente da barraca da esquina são deliciosos, muito mais do que pratinho da nouvelle cuisine cheios de triquetrique e que custam o olho da sua cara. Mas posso dizer que, eu espero que estas comidas não me decepcionem, já que são consideradas superiores por todos.
Por isso existem perfumes bons e “perfumes bons”.
Acho que é sobre isso que o Perfume na Pele é, afinal.




















Vanessa Anjos edita o PnP há 3 anos. Colecionadora de perfumes e diletante convicta em várias áreas, adora escrever e Internet, design gráfico Tabajara, fashionismo teórico (ela inventou o termo) e tem um monte de esboços sobre muitos projetos, que nunca são levados a cabo porque está sempre ocupada tentando mudar o mundo através da resistência passiva e um biquinho charmoso.

Muito obrigada por suas sábias palavras. Me fizeste comprar um Prada Amber, uma surpresa inusitada, e agora me deixas tranquila ao compartilhar sua opinião sobre “perfumes bons”, a qual aprovo totalmente. O Brasil vai criar coisas maravilhosas na perfumaria, eu acredito. Esta é a chance do Brasil se destacar na perfumaria, justamente pela oportunidade de sair deste já batido VIP e Lady não sei quantos milhões… Temos muitos cheiros autênticos, da terra, da floresta, do mato… é só acertar “a mão” que vamos surpreender também. Abraço.
Por falar em Jequiti eu tenho um Só voce feminino q é uma delicia,fixa horrores e recebo elogios com ele,e o povo nao acredita q é Jequiti,por falar nisso gostria q vc fizesse uma resenha sobre ele ha o do perfume da Rihana tbm q vi falar q não é muito bom msmo.
Pode ser o pior perfume do mundo, a pessoa pode detestar…mas usa pq é da marca “x”…
Qdo comecei minha mania de perfumes, comprei vááários no escuro e alguns por preços bem em conta. Enquanto os mais caros nem sempre me agradavam mais.
Tbm tive um avon q por onde eu passava as pessoas perguntavam q perfume era, engraçado é q nunca recebi tantos elogios qdo usava um importado do q como recebia com ele.