Versace Versus EdT
Versace Versus não tinha conquistado minha atenção por causa de sua embalagem totalmente desanimadora e bizarra (a cartonagem; o frasco é bonito). Embora, novamente, eu vá dizer aqui que não estou apaixonada, ao menos estou agradavelmente surpresa com um perfume para o qual eu tinha perspectivas não muito boas. A melhor coisa de Versus é que ele tem uma vibe casual, bem verão, jovial e alto astral. Enfim se você está procurando um perfume leve, interessante para o seu verão, talvez Versus seja uma boa escolha.
Por que?
Primeiro porque tem uma entrada cítrica muito, mas muito bem bolada. Mesmo que Versus careça do elemento “X” que o tornaria apaixonante, até onde ele vai ele é bem executado. Sinto que faltou alguma coisa a mais para diferencia-lo totalmente, mas posso dizer que o limão, o kumquat suculentos, bastante realistas, dão água na boca. O exótico e roxo caimito (Chrysophyllum cainito) fruta do Caribe e do Brasil, que eu não conheço pessoalmente, marca presença com um dulçor interessante. Eu adoro kumquat e senti-lo tão real num perfume sempre me deixa eufórica.
Jasmim de Madagascar, flor de laranjeira africana e rosas (estas delicadas e femininas da espécie centifolia, e eu diria que é por isso que as notas mais frutais são realçadas) adicionam uma cremosidade floral e intensa, que falta em perfumes até parecidos (como alguns Moschino), sem perder o apelo cítrico e vibrante. Provavelmente é sobre isso que fala Versus, um contraste entre a feminilidade do floral em contraponto ao vibrante acorde cítrico. Ambos casam-se muito bem, embora eu esperasse algo mais ousado deste conceito.
Claro que Versace Versus cai dentro do estilo “italiano”, que nos deu coisas como Light Blue, o que em certos casos pode ressaltar uma certa tendência ao exagero de limão, que para muitos é gritante e sintético. De qualquer modo, isto é feito respeitando-se um estilo.
A projeção é boa considerando a composição, que não é exatamente feita para ofuscar. Também a longevidade. Patchouli, musk e ambrette, arrematam a fragrância, permitindo que o perfume se mantenha muito coeso do início ao fim. Ainda reitero que faltou algo mais ousado, mas Versus tem uma personalidade interessante, até considero sofisticadamente casual.
Muitos podem gostar, outros não, mas eu diria que você pode comprar no escuro se gosta de notas cítricas, com um desenvolvimento para o floral que é bem acabado, quase talcado, suavemente doce. Realmente um perfume de contrastes bem aparados.
Nathalie Lorson criou Versus em 2010.
O video:
Fast Tube by Casper



















Vanessa Anjos edita o PnP há 3 anos. Colecionadora de perfumes e diletante convicta em várias áreas, adora escrever e Internet, design gráfico Tabajara, fashionismo teórico (ela inventou o termo) e tem um monte de esboços sobre muitos projetos, que nunca são levados a cabo porque está sempre ocupada tentando mudar o mundo através da resistência passiva e um biquinho charmoso.

Eu fiquei e olho nele qdo saiu por ter notas cítricas….imaginei q fosse o q eu queria. Porém bem como vc falou, ele tem o lado floral quase doce. Me desanimou um pouco… ainda acho o Versense melhor nesse aspécto. Bem cítrico como eu queria… Mas achei o Versus bem verão e delicado!
Uma delicinha